Agência em estratégia: conectando prática social e co-determinação

Fernanda Filgueiras Sauerbronn, Alexandre Faria

Resumo


O artigo propõe uma perspectiva mais plural para o estudo da agência em estratégia, por meio do empréstimo do conceito de co-determinação, contribuindo para o reconhecimento e a superação de certas limitações da área. As razões históricas que levaram a área de estratégia a focar no indivíduo são analisadas ao longo do texto, principalmente, a partir do predomínio de abordagens específicas que tratam da relação entre indivíduo-organização-ambiente. Os autores argumentam que grande parte da literatura de estratégia privilegia uma representação específica de organização e gerência [i.e. a grande corporação e o capitalismo gerencial controlado por uma ‘mão-visível’]; isso permitiu gerar ao longo das últimas décadas falsas dicotomias [micro/macro, voluntarismo/determinismo] e promoveu uma conflação entre a agência do indivíduo e a agência da organização. De forma a superar essas falsas dicotomias e endereçar o estudo da agência, os autores revisitam o desenvolvimento de algumas perspectivas que procuraram nas últimas décadas que incorporam os debates produzidos na área de estudos organizacionais, principalmente na Europa. O artigo dá destaque às discussões acerca da perspectiva da estratégia como prática social [strategy as practice – S-as-P], principalmente, àquelas vinculadas à Teoria da Estruturação devido à sua ampla utilização. Seguindo o movimento europeu, também é crescente no Brasil o interesse por S-as-P e pelos conceitos de strategizing, organizing e micropráticas; isto faz com que o conceito de agência continue insuficientemente explorado apesar dos importantes avanços alcançados. Os autores deste artigo propõem uma perspectiva – baseada do conceito de co-determinação – na qual a agência se constitui ao longo de processos de interação horizontal e vertical, envolvendo mecanismos e atores que residem nos níveis micro-individual, meso-organizacional e macro-estrutural. O potencial do conceito de co-determinação é reconhecido para que se realize em S-as-P uma ‘análise estratificada’ da agência e discutidos elementos que permitem revelar as ‘camadas’ de influências. Por fim, os autores traçam considerações acerca da viabilidade de perspectivas alternativas para o estudo da agência em S-as-P e de sua importância para contrabalançar a literatura dominante e elevar a relevância dos estudos no Brasil.

 


Palavras-chave


Estratégia; Agência; Prática Social; Níveis de Análise; Co-Determinação

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